28 de fevereiro de 2025

Análise Técnica de Ações: entenda os gráficos e as tendências

O que é uma Análise Técnica? Conheça esse importante conceito

Nas bolsas de valores do mundo, há pelo menos dois tipos de pessoas aplicando dinheiro: os investidores e os especuladores. O investidor busca, essencialmente, conhecer os fundamentos da gestão de uma organização para garantir um bom negócio. Já os especuladores se valem da análise técnica em todas as suas operações.

Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, a análise técnica foi fortemente beneficiada. Hoje, a automação de sistemas permite até mesmo programar robôs para realizarem operações no mercado com altos índices de sucesso. Tudo graças a essa forma de analisar o mercado.

Mas o que, exatamente, é análise técnica e como ela funciona? Neste artigo, vamos tirar suas principais dúvidas sobre o método mais popular de análise do mercado. Você vai aprender quais são seus fundamentos e vantagens e como é possível complementar a análise técnica dos especuladores com os estudos fundamentalistas dos investidores. Confira!

O que é análise técnica?

Análise técnica é um método de observação do preço de um ativo financeiro com o propósito de antecipar seus movimentos futuros. Seu fundamento está na premissa de que a história tende a se repetir. Dessa maneira, por meio de indicadores e da identificação de padrões de comportamento do mercado, é possível validar estatísticas com boa margem de sucesso.

Fundamentos

Já no século 17, a história registrava o estudo de gráficos dos preços do arroz pelos japoneses. Porém, pode-se dizer que a análise técnica tenha sido inaugurada no final do século 19, quando Charles Henry Dow, jornalista americano, publicou uma teoria sobre o comportamento do mercado, propondo ciclos de oscilação dos preços dos ativos. Confira os princípios dessa teoria.

1. O preço desconta tudo

O primeiro princípio da teoria de Dow propõe que todos os fatores que podem influenciar o preço já estão descontados. Assim, não há necessidade de buscar informações privilegiadas, porque o mercado é a fonte mais segura de informação para o instante da análise. O preço desconta tudo.

2. O mercado se movimenta em tendências

Para a análise técnica, esse é, com certeza, o fator mais importante. A teoria nos diz que o mercado se move em tendências cujo período determina sua força. Assim, há 3 tendências notáveis, em que uma é circunscrita pela outra, dado o período analisado. São:

    • primária;
    • secundária;
    • terciária.

3. As tendências têm 3 fases

Tanto em uma tendência primária altista (com topos e fundos ascendentes) quanto baixista (com topos e fundos descendentes), é possível observar 3 fases, cuja denominação depende do movimento da tendência — note que, para uma reversão, o fim de uma tendência é o início da outra:

    • Fase 1: acumulação / distribuição;
    • Fase 2: euforia / desespero;
    • Fase 3: distribuição / acumulação.

4. Os indicadores devem se confirmar

Um fator de confirmação de uma tendência proposto na teoria de Dow são os indicadores convergentes. Assim, se o setor de uma empresa está aumentando a produtividade, é esperado que um setor relativo também aumente. O mesmo deve acontecer entre empresas do mesmo setor.

5. O volume confirma a tendência

Além de caracterizar as fases de uma tendência, o volume também é um indicativo que confirma um movimento do mercado. Desse modo, um alto volume de negociações a favor da tendência é um fator de confirmação.

6. A tendência continua até que se prove o contrário

A proposta desse princípio é categórica: se nada em uma análise técnica sugere uma reversão de tendência, ela deve continuar. Isso significa que qualquer informação que não se justifica no preço não deve ser admitida como válida na análise técnica. Lembre-se do princípio número 1: o preço desconta tudo.

Indicadores

Os indicadores são ferramentas matemáticas que contribuem para a análise técnica. Suas fórmulas são representadas por linhas e figuras sobrepostas no gráfico, de maneira a orientar o trader sobre propriedades pouco aparentes do movimento dos preços. Alguns exemplos de indicadores são:

  • médias móveis: as médias móveis basicamente calculam, em dado período, a média dos preços de fechamento do ativo, dispondo o resultado em uma linha que permite identificar a altura do preço em relação à média calculada;
  • volume: há diversos indicadores de volume que, essencialmente, apresentam aspectos quantitativos das negociações em determinado período, especialmente o número de negociações e sua natureza (compra ou venda);
  • osciladores: os osciladores são indicadores cujas fórmulas têm por fim abranger variados aspectos das negociações em determinado período. Assim, um oscilador limita todo o mercado ao cálculo do período, buscando identificar padrões de movimento.

Price action

Agora, o que sobra da análise técnica se retirarmos todos os indicadores, medidas de volume, linhas de tendência, osciladores etc.? O preço do ativo. Isso é o que se entende por análise gráfica. Embora muitos admitam a análise técnica e gráfica como sinônimos, é comum aceitar a gráfica como um aspecto da técnica.

Price action é, portanto, a análise pura do preço do ativo. Assim, em um plano, pode-se observar com clareza os preços de abertura e fechamento, além das altas máximas e baixas mínimas de um ativo em determinado período.

O padrão mais utilizado de disposição gráfica do preço é o de candlesticks (ou velas). Nesse modelo, um período de negociações é representado por uma barra vertical que indica os valores de abertura e fechamento do ativo no período, havendo também, frequentemente, linhas nas extremidades das barras, indicando a máxima e a mínima do preço.

Quais as vantagens da análise técnica?

Todas as vantagens da análise técnica estão associadas ao fato de o trader não precisar imobilizar seu capital por um longo período. Isso lhe permite realizar mais operações que um investidor, aproveitando mais oportunidades. Confira algumas vantagens da análise técnica:

  • mais agilidade nas operações;
  • mercados alternativos (como futuros, câmbio, opções etc.);
  • estratégias de venda a descoberto;
  • oportunidades inesgotáveis, 24h por dia.

Como as análises técnica e fundamentalista se complementam?

A principal diferença entre a análise técnica e a fundamentalista é que a técnica concentra suas observações no humor do mercado. A fundamentalista, por sua vez, procura medir a competência da gestão diante dos desafios e oportunidades dos cenários econômicos.

Value investing e Análise técnica

O value investing (investimento de valor, em tradução livre) é o conceito mais popular de investimento no mercado de valores. Proposta por Benjamin Graham na metade do século 20, em seu famoso livro “O investidor inteligente”, a ideia se baseia na perspectiva de tornar-se sócio da empresa cuja ação o investidor adquire.

Para isso, a fim de garantir um posicionamento lucrativo ao longo do investimento, é necessário ter verdadeira diligência no estudo de questões fundamentais da empresa e do seu setor de atividade.

Aliando o estudo sobre a competência da gestão de uma empresa aos dados quantitativos da análise técnica, é possível assegurar as melhores opções de negócio.

Seja para investir por um longo período ou para realizar uma operação de curto prazo, a análise técnica sempre vai revelar o melhor momento de entrada, enquanto a fundamentalista elencará apenas as empresas potencialmente mais lucrativas de cada setor.

Gostou de entender mais sobre como a análise técnica ajuda os traders a realizarem operações de sucesso? Que tal aprender a identificar os melhores momentos para entrar em uma operação? Acesse este artigo sobre price action e descubra como aproveitar os melhores trades!